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11.12.2009

Por que papel reciclado é mais caro?

Custa mais caro "recriar" o papel do que fabricá-lo a partir de matéria-prima virgem

Ninguém pergunta "por que produto orgânico é mais caro, já que nem agrotóxico usa?" Todo mundo sabe que o esforço para manter o vegetal sadio, sem pesticida, é ainda mais custoso.

No caso do papel reciclado, o princípio é o mesmo. É mais caro "recriar" o papel do que fabricá-lo a partir de matéria-prima virgem.

Quando pensamos em papel reciclado, sempre é no papel bonito e ecológico que o banco imprime, mas papel reciclado de verdade, aquele que vem do lixo, vira papelão, papel higiênico, papel de embrulho, esses sim com custo benefício ótimo sem marketing para endeusá-lo ou confundí-lo.

O papel reciclado para impressão é um produto nobre, feito de aparas selecionadas de gráficas e papel de escritório, misturado com fibras e com a reutilização de sobras da própria indústria que o produz.

O Setor Reciclagem já tratou do assunto várias vezes, mas como as dúvidas ainda são grandes, aí vão os 10 motivos porque o papel reciclado é mais caro

1 - Já existe um processo de fabricação centenário de fabricação de papel "virgem". A fabricação de papel reciclado para impressão é relativamente nova, precisa de tempo para se estruturar e ser competitiva.

2 - Na verdade, comparar papel virgem com papel reciclado (para impressão) é covardia. O papel reciclado faz parte de uma categoria diferente, denominada Papéis Especiais. Há alguns anos, só haviam papéis reciclados importados, caríssimos, sem acesso ao usuário comum. É ótimo que essa situação esteja mudando, mas o papel reciclado que estamos nos acostumando a ver ainda é um pouco mais caro.

3 - Há pouca concorrência no mercado de papel reciclado para impressão. Com mais empresas fabricando, o preço deve cair.

4 - Se você separar os papéis do resto dos resíduos que gera, estará ajudando a baratear o custo do papel reciclado, pois a limpeza e triagem (separação) são dois dos ítens que encarecem a reciclagem.

5 - Quando você compra papel, paga imposto. Quando ele é transformado em papel reciclado, uma nova carga de impostos é gerada, para o papel que já estava taxado.

6 - O papel reciclado está basicamente restrito ao uso corporativo. Enquanto for produto de um nicho de mercado, mantém-se com valor mais alto.

7 - A coleta seletiva no Brasil ainda é relativamente pequena, o que gera um custo alto para coletar e selecionar os materiais recicláveis.

8 - O processo de reciclagem implica em: coletar, selecionar, limpar, revalorizar, reproduzir, comercializar. Para tudo há um custo. Pense que em vez do fabricante ou comerciante estar querendo levar vantagem na "onda ambiental", talvez precisem agregar valor para comercializar um produto mais caro.

9 - Existem diversos tipos de papéis recicláveis, cada um tem seu valor, seu grau de impureza. Qualquer fardo de papel com materiais proibitivos em quantidade maior que a especificada pode torná-lo não reciclável. Ou seja, o trabalho de separação/classificação é grande mesmo só entre papéis. Todo processo criterioso tem custo elevado.

10 - O uso do papel é tão difundido que ninguém imagina viver sem ele. Isso mantém um custo relativamente baixo para promover o papel em campanhas de marketing. No caso do papel reciclado, quem pode faz o que pode para divulgar o papel: campanhas de publicidade que, além do tradicional, envolvem ações sociais, permutas. Quem não pode, vende menos. Esses fatores podem encarecer o produto final.

Para o usuário comum: teste o papel reciclado, peça para a papelaria comprar, experimente. Em alguns casos pode valer uma nota melhor no trabalho de escola, uma vantagem no currículo, ou na apressentação de um trabalho.

Para as empresas: se o objetivo principal é a redução de custos, procure papéis de embrulho com gramatura adequada e cor mais clara. Esses papéis existem, são mais baratos e servem para impressão comum. Aproveite para revisar os trabalhos no computador e use os dois lados das folhas.

Para os governos: se incentivar a fabricação de reciclados com redução de impostos soa como uma ofensa, pelo menos incentivem a coleta seletiva - o papel usado será melhor separado, existirá em maior quantidade e, a reboque, vai melhorar a condição social do povo mais necessitado.

Para os fabricantes: que tal anunciar seus produtos no Setor Reciclagem? A procura é grande, a expectativa de retorno é ótima. E vocês estarão fazendo uma excelente ação social ao patrocinar um veículo de informação como esse.

Este artigo não tem objetivo de defender fabricantes, mas o uso do papel reciclado. Os fabricantes não vão arcar com prejuízos para produzir um tipo de papel, cabe a você decidir se vale a pena pagar mais caro por um produto com benefícios ambientais. Voltando ao exemplo dos vegetais orgânicos, você deveria usá-los para preservar sua saúde. Não deveria fazer o mesmo para preservar a saúde do planeta?

Por Ricardo Ricchini

Fonte: Setor Reciclagem

Ricardo Ricchini é administrador do Setor reciclagem, sócio da Criatura comunicação, empresa que (sempre que possível) incentiva o uso do papel reciclado para seus clientes.

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